Reflexões sobre maternidade, adolescência e a arte de não deixar o amor para trás
📊 Informações do Artigo:
- Tempo de leitura: 4 minutos
- Palavras: 892 palavras
- Caracteres: 5.651 caracteres
“O tempo passa muito rápido” – uma frase que ganha novo significado quando observamos nossos filhos crescerem. Entre memórias do Hulk e conversas sobre adolescência, uma jornalista e mãe reflete sobre o que realmente importa não esquecer na criação dos filhos.
A adolescência é uma fase pelo qual todos já passamos. Compreender os nossos filhos é, no fundo, compreender a nós mesmos.
“O tempo passa muito rápido”

Esta frase nunca fez tanto sentido para mim.
Um dia desses eu fui até o Masp (Museu de Arte de São Paulo) com uma amiga, estava ansiosa para ver a exposição de Renoir. Na Avenida Paulista observei algumas mães com os seus filhos pequenos, algumas crianças estavam vestindo roupas de super-heróis. Lembrei imediatamente do meu filho que amava se vestir de Incrível Hulk. Ele tinha cinco anos, hoje ele tem doze. Acredite, as duas primeiras obras que eu apreciei de Renoir estavam com as roupas do Incrível Hulk.
É isso… o tempo passou e não seria possível deixar essas lindas histórias, esses momentos marcantes para trás. Como também seria impossível tê-los de volta. Tudo é um ciclo.
As Fases Mudam e Nós Precisamos nos Reinventar
As fases mudam e nós precisamos nos reinventar. Não dá para viver do passado, ainda mais dos nossos filhos que estão em constante desenvolvimento.
Gosto muito da música da Elis Regina, “Velha Roupa Colorida”, que diz o seguinte:
| > *”Você não sente, não vê, mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo |
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
O que há algum tempo era novo, jovem
Hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer
Como Poe, poeta louco americano
Eu pergunto ao passarinho Blackbird, o que se faz?
Raven never raven never raven
Blackbird me responde
Tudo já ficou pra trás”*
Mas ficar para trás nem sempre significa esquecer. Ficar para trás, neste caso, é ressignificar, é aprender a lidar com o novo, se sentir completa ao fazer isso e ter a certeza de que somos seres humanos com erros e acertos no decorrer da vida.
Nossa Própria Adolescência
Na minha adolescência não tinha internet, eu tinha que me levantar do sofá para mudar o canal da televisão em um aparelho de tubo, ligava para a minha mãe do orelhão e por esse motivo usava a seguinte expressão – “Acho que a ficha não caiu”. Se você é adolescente e está lendo esse parágrafo, você não faz a mínima ideia do que eu estou falando. E não se assuste, eu não sou um dinossauro.

O que também não pode ficar no passado é a nossa adolescência, sim, nós também “ADOLESCEMOS” e passamos por muitas coisas. Bullying, ansiedade, medo, exclusão, raiva, tristeza, alegria, questões hormonais, pressão social, busca por identidade, mudanças corporais, incerteza e muitas dúvidas.
No artigo de hoje quero lembrar que, com o mundo digital em foco, os sentimentos dos nossos filhos são elevados e não devem ser ignorados.
A Sabedoria de uma Educadora
Conversei esta semana com uma querida amiga que também é educadora e suas palavras foram inspiradoras.
“Depois de cinco anos trabalhando com adolescentes e convivendo com a “minha” adolescente percebi fortemente que o que não pode ser deixado para trás é o olho no olho, é a conversa despretensiosa, é saber e participar do que o seu adolescente gosta.
Nada disso se constrói de uma hora para a outra, mas confio que essas coisas não podem ser deixadas para trás.
Sim, eles precisam do espaço deles, do momento deles e precisam do nosso acolhimento, do nosso carinho e da nossa escuta.
Eu diria que a maternidade acaba pedindo o autoconhecimento da mulher que escolheu ter um filho. Ao olharmos para eles, nossos filhos, olharemos para nós mesmas, encontrando talvez os segredos que nunca quisermos contar.”
Fernanda Loyola – Educadora
Atitudes que Podem Ajudar
Na minha opinião tem atitudes que podem ajudar a nos relacionar com os nossos adolescentes:
| • Propor diálogos relevantes para a rotina |
- Fazer elogios com mais frequência – trabalhar a autoestima é essencial para deixá-los mais seguros • Ser paciente e tentar conduzir o adolescente à reflexão – existem sentimentos que eles ainda não sabem nomear • Fortaleça a amizade • Mantenha o contato com a escola • Ofereça a autonomia – permita com que eles possam tomar decisões relacionadas à sua vida • Tenha maturidade nos conflitos – nós somos os orientadores e com respeito, amor e confiança podemos ajudar os nossos filhos a serem adultos mais confiantes • E por último e não menos importante, abrace muito e diga EU TE AMO sempre que seu coração estiver explodindo de felicidade por ter um filho ou filha adolescente
Não perca tempo. A vida passa rápido e nada pode ser deixado para trás.
Claudia Faggi
Mãe em construção, mulher e jornalista
📌 Principais Pontos do Artigo:
- O tempo passa rapidamente e as memórias da infância dos filhos são preciosas • É preciso se reinventar conforme os filhos crescem, sem viver apenas do passado
• Lembrar da própria adolescência ajuda a compreender os filhos adolescentes • O mundo digital intensifica os sentimentos dos adolescentes • Relacionamento com adolescentes requer diálogo, paciência, autonomia e muito amor
❓ Perguntas Frequentes (FAQ)
- Como lidar com a nostalgia das fases passadas dos filhos? É natural sentir saudade, mas é importante ressignificar essas memórias como aprendizado para o presente. As fases mudam e precisamos nos reinventar junto com nossos filhos, sem viver apenas do passado.
- Por que é importante lembrar da própria adolescência? Lembrar de nossa adolescência nos ajuda a compreender os sentimentos e desafios que nossos filhos enfrentam: bullying, ansiedade, busca por identidade, mudanças corporais e pressão social.
- Como o mundo digital afeta os adolescentes de hoje? O mundo digital intensifica os sentimentos dos adolescentes. Eles vivenciam emoções de forma mais intensa e precisam de maior acolhimento, diálogo e compreensão dos pais.
- Quais são as principais atitudes para se relacionar bem com adolescentes? Diálogo relevante, elogios frequentes, paciência, fortalecimento da amizade, contato com a escola, oferta de autonomia, maturidade nos conflitos e demonstrações constantes de amor.
- O que significa “não deixar para trás” na relação com os filhos? Significa manter o olho no olho, a conversa despretensiosa, participar do que eles gostam, oferecer acolhimento e nunca deixar de demonstrar amor, mesmo com as mudanças das fases.
🔗 Fontes e Referências:
- Depoimento de Fernanda Loyola – Educadora especializada em adolescentes
- “Velha Roupa Colorida” – Elis Regina
- Experiência pessoal – Claudia Faggi, jornalista e mãe

