O Colecionador de Suspiros – 2º capítulo

👻 O Colecionador de Suspiros – Capítulo 2

📖 Ficção fantástica contemporânea que explora identidade, memória e as fronteiras tênues entre vida e morte através da história de Joaquim e sua misteriosa coleção

️ Tempo de leitura: 6 minutos | 📚 Ficção

📝 Em resumo: No segundo capítulo de “O Colecionador de Suspiros”, Joaquim descobre verdade perturbadora sobre sua existência quando um menino misterioso revela que ele não coleciona palavras alheias, mas fragmentos de si mesmo. A narrativa explora temas de identidade, memória e natureza da realidade através de elementos fantásticos envolventes.

Alguém estava coletando minhas palavras não ditas.

Voltei para casa e, pela primeira vez em décadas, examinei minha coleção com olhos de estranho.

Que tipo de homem dedica a vida a colecionar os silêncios alheios? Que tipo de existência é esta, alimentada pela incapacidade de outros de se expressarem? Caminhei entre as prateleiras como um fantasma visitando seu próprio mausoléu.

Foi então que notei: não havia espelhos em meu apartamento.

Quando foi que os removi? Não conseguia lembrar. Corri até o banheiro — a parede sobre a pia exibia apenas o retângulo mais claro onde o espelho costumava ficar. Procurei pela casa inteira. Nenhum reflexo. Nenhuma superfície que pudesse me devolver minha própria imagem.

Sentei-me no chão da sala, cercado por milhares de palavras mortas, e tentei me lembrar da última vez que havia visto meu rosto.

A memória não veio.

Na sexta-feira, não fui trabalhar.

Permaneci em casa, observando os frascos, tentando decifrar o mistério de minha própria existência. Quando foi que havia parado de comer? Não sentia fome há… quanto tempo? Quando foi a última vez que dormi? Meu corpo parecia funcionar por inércia, como um relógio que continua marcando as horas mesmo depois que a corda acaba.

Ao entardecer, ouvi passos no corredor.

Alguém subiu os três lances de escada até meu apartamento. Parou diante da porta. Não bateu.

— Joaquim — disse uma voz que reconheci como minha própria, mas mais jovem. — Está na hora.

Abri a porta.

Do outro lado estava um menino de doze anos, segurando um frasco de compota vazio.

— Você não se lembra de mim — disse o menino, e era verdade. Seu rosto me era familiar e estranho ao mesmo tempo, como uma fotografia desbotada de alguém que talvez eu tivesse conhecido em sonhos.

— Quem é você?

— Sou você. Ou você é eu. Ou somos ambos a mesma coisa que nunca existiu de verdade. — Ele entrou no apartamento sem ser convidado, examinando os frascos com a curiosidade de quem visita um museu. — Bonita coleção. Pena que não é sua.

— Como assim não é minha?

O menino sorriu com a tristeza de quem carrega um segredo pesado demais para sua idade.

— Você acha que coleciona as últimas palavras dos outros, Joaquim. Mas na verdade, você é uma coleção de últimas palavras. Cada frasco aqui contém uma parte de você que nunca conseguiu se expressar.

Senti o chão desaparecer sob meus pés.

— Isso é impossível.

— É? — Ele pegou o frasco mais antigo, aquele primeiro “Perdão”. — Você se lembra do homem que morreu ao lado de seu pai? Claro que não. Porque esse homem era você. Você morreu naquela noite, aos quarenta e nove anos, tentando pedir perdão ao pai por uma vida desperdiçada. Mas as palavras não saíram.

As memórias começaram a se reorganizar como peças de um quebra-cabeça macabro.

CONTINUA…

🎯 Principais Pontos

  1. 👻 Revelação Sobrenatural: Joaquim descobre que pode não ser quem pensa ser, questionando sua própria existência e realidade
  2. 🪞 Ausência de Reflexos: Metáfora poderosa sobre perda de identidade através da ausência de espelhos em sua casa
  3. 👦 Encontro Misterioso: Aparição do menino que afirma ser ele mesmo cria tensão narrativa e revela verdades perturbadoras
  4. 🫙 Ressignificação da Coleção: Frascos não contêm palavras alheias, mas fragmentos não expressos do próprio protagonista
  5. 💀 Natureza da Morte: Sugestão de que Joaquim pode estar morto, explorando fronteiras entre vida e morte

❓ Perguntas Frequentes

📖 Qual gênero literário de “O Colecionador de Suspiros”? Ficção fantástica contemporânea que mescla elementos sobrenaturais com reflexões existenciais sobre identidade, memória e comunicação humana.

👻 Joaquim está realmente morto? A narrativa sugere essa possibilidade através de pistas como ausência de espelhos, falta de necessidades físicas e revelação do menino misterioso.

🫙 O que simbolizam os frascos na história? Representam palavras não ditas, oportunidades perdidas de comunicação e fragmentos da própria identidade do protagonista que nunca foram expressos.

👦 Quem é o menino que aparece no final? Aparenta ser uma versão mais jovem de Joaquim ou manifestação de sua consciência, revelando verdades sobre sua condição existencial.

🎭 Quais temas principais da narrativa? Identidade, memória, comunicação humana, arrependimento, fronteiras entre vida e morte, e natureza da realidade e percepção.

📚 Fontes e Referências: Literatura Fantástica Contemporânea | Narrativa Brasileira Moderna | Estudos sobre Ficção Sobrenatural | Análise de Personagem na Literatura | Teoria Narrativa Contemporânea

📖 Leia também: • Ficção Fantástica Brasileira: Tendências Contemporâneas na Literatura • Narrativa Sobrenatural: Como Construir Suspense em Contos Fantásticos • Literatura de Identidade: Protagonistas em Crise Existencial

📚 “O Colecionador de Suspiros” explora profundamente questões existenciais através de elementos fantásticos envolventes. O que você achou da revelação sobre a verdadeira natureza da coleção de Joaquim? Compartilhe nos comentários suas teorias sobre o mistério que envolve o protagonista!

✍️ Por J.B Wolf

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