A cultura e suas dimensões

Desvendando as Múltiplas Faces da Cultura: Da Etimologia Latina às Tensões Entre Popular, Erudita e de Massa na Sociedade Contemporânea

📊 Informações do Artigo

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RESUMO (EM FORMATO DE MANCHETE)

Análise acadêmica sobre evolução do conceito de cultura desde origem latina “colere” até dimensões contemporâneas. Explora tensões entre Iluminismo e Romantismo, cultura popular versus erudita, relações de classe social e construção de identidade coletiva através das tradições.

ARTIGO COMPLETO

O termo cultura vem sendo discutido nas mais diversas áreas do conhecimento e em diversos setores da sociedade, ao longo de sua história. Originalmente, o termo cultura nasce do latim colere utilizado para o cultivo ou cuidado com a planta. Na Antiguidade, foi usada pela primeira vez, no sentido de descrever, numa visão filosófica, a formação do homem enquanto agente no mundo à procura do autoconhecimento e de sua relação com os ofícios, artes e expressões sociais.

Na tradição iluminista, o termo cultura é empregado como sinônimo de civilização, em que o homem procura características múltiplas no pensar e no agir, na sua formação cultural. A ligação da cultura e civilização se estabelecerá positiva ou negativamente conforme a linha de pensamento. Para os românticos, a civilização expressa sujeição da sensibilidade, bondade natural, interioridade espiritual, ao contrário dos iluministas, que viam positivamente a articulação entre cultura e civilização, uma vez que a cultura era a medida de uma civilização, afluía para o desenvolvimento e aperfeiçoamento do ser humano e não era concebida como natureza, na visão romântica.

A noção de cultura deixa de estar relacionada com a natureza para ser pensada como sinônimo de sociedade e civilização, com o movimento de secularização e racionalização da experiência, o estabelecimento das diferentes esferas de valor, o desencantamento das concepções tradicionais de mundo. Ao longo desse processo, têm‐se as atividades denominadas nobres, consideradas como culturais e as atividades cotidianas e práticas, desprovidas da intelectualidade, consideradas como práticas populares. A partir desses referenciais, então, a cultura se apresenta em diferentes dimensões, como: cultura popular, cultura erudita e cultura de massa.

O diálogo constante entre os quadros socioculturais nos quais muitas culturas convivem tem sido estudado por alguns pensadores e historiadores. Temos, assim, de um lado, uma cultura popular que constitui um mundo à parte, encerrado em si mesmo, independente e, de outro, uma cultura popular inteiramente definida pela sua distância da legitimidade cultural da qual ela é privada.

 

A cultura popular possui uma lógica diferenciada, um espaço de atuação próprio, um código de simbologias, singulares concepções e um tempo particular que são identificados a cada manifestação cultural, tendo como uma das suas principais características, a formação de um grande nicho de diversidade, tornando‐a mais complexa, o que não se pode dizer o mesmo da cultura de elite.

Várias são as definições de cultura popular, pois os estudiosos da área atribuem a mesma definição ao termo. Alguns confundem o folclore com a cultura popular e para outros com a cultura de massa. No entanto, a cultura popular e o folclore recuperam a ideia de “tradição”, seja na forma de tradição‐sobrevivência, seja na perspectiva de memória coletiva que age dinamicamente, pois é, no dia a dia, que as práticas culturais são transformadas e legitimadas.

A cultura popular como o saber tradicional das classes subalternas das nações civilizadas, legitimaria a existência de uma dicotomia estrutural da sociedade. De um lado, uma elite que promulga o “progresso”; de outro as classes subalternas, representando a continuidade de manifestações culturais que se acumulariam como herança de um passado distante.

Assim, ainda pensando em relação à erudita, a cultura dos segmentos dominantes, bem como a oposição entre os interesses de duas classes sociais, a elite e de massa que na sociedade foi transferida para a dimensão cultural e fazendo com que a elite, para formar seu universo de legitimidade acabe, também, por tentar definir o que é cultura popular, destacando um conteúdo transformador. Se observarmos, a base conceitual e o conteúdo de cultura sempre estiveram associados às relações entre as classes sociais e que a oposição entre elas é um produto dessas relações.

Inferimos das reflexões aqui apresentadas que para entender a discussão sobre cultura popular, erudita e de massa é centrar‐se na ampliação do acesso da população a todas as formas de manifestação cultural, no sentido de construir e resgatar a memória de um povo, por meio de suas tradições, garantindo, dessa forma, a sua identidade.

�� Principais Pontos do Artigo

  1. Origem etimológica e evolução conceitual: Termo cultura deriva do latim “colere” (cultivo de plantas), evoluindo na Antiguidade para descrever formação humana filosófica, autoconhecimento e relação com ofícios, artes e expressões sociais.
  2. Tensão entre Iluminismo e Romantismo: Iluministas viam cultura como sinônimo positivo de civilização, medida de desenvolvimento humano, enquanto românticos consideravam civilização como sujeição da sensibilidade, bondade natural e interioridade espiritual.
  3. Secularização e hierarquização cultural: Movimento de racionalização separou atividades “nobres” (consideradas culturais) das práticas cotidianas (populares), estabelecendo dimensões: cultura popular, erudita e de massa.
  4. Complexidade da cultura popular: Possui lógica diferenciada, espaço próprio, códigos simbólicos singulares e tempo particular, formando nicho de grande diversidade mais complexo que cultura de elite, recuperando tradição e memória coletiva dinâmica.
  5. Dicotomia estrutural de classes sociais: Elite promulga “progresso” enquanto classes subalternas mantêm manifestações culturais como herança histórica, com elite tentando definir cultura popular para formar universo de legitimidade, evidenciando que oposição cultural é produto de relações de classe.

Perguntas Frequentes (FAQ)

  1. Qual a origem etimológica da palavra “cultura”? A palavra cultura deriva do latim “colere”, originalmente usado para cultivo ou cuidado com plantas. Na Antiguidade, evoluiu para descrever filosoficamente a formação humana enquanto agente no mundo, buscando autoconhecimento e relação com ofícios, artes e expressões sociais.
  2. Como Iluminismo e Romantismo viam a relação entre cultura e civilização? Iluministas viam positivamente cultura como sinônimo de civilização, medida de desenvolvimento e aperfeiçoamento humano. Românticos consideravam civilização como sujeição da sensibilidade, bondade natural e interioridade espiritual, opondo-se à visão iluminista.
  3. Quais são as três dimensões culturais mencionadas no texto? As três dimensões são: cultura popular (práticas cotidianas das classes subalternas), cultura erudita (atividades consideradas “nobres” e intelectuais), e cultura de massa (produção cultural para consumo amplo), estabelecidas após secularização e racionalização da experiência.
  4. O que caracteriza a cultura popular segundo o artigo? Cultura popular possui lógica diferenciada, espaço de atuação próprio, códigos simbólicos singulares, concepções únicas e tempo particular. Forma grande nicho de diversidade, sendo mais complexa que cultura de elite, recuperando tradição e memória coletiva dinâmica.
  5. Como as relações de classe influenciam as definições culturais? Elite promulga “progresso” enquanto classes subalternas mantêm manifestações culturais históricas. Elite tenta definir cultura popular para formar universo de legitimidade. Base conceitual de cultura sempre esteve associada às relações entre classes sociais, sendo a oposição cultural produto dessas relações.

�� Fontes e Referências

  • Etimologia latina: “colere” – cultivo e cuidado com plantas.
  • Tradição filosófica antiga: formação humana e autoconhecimento.
  • Pensamento iluminista: cultura como sinônimo de civilização e progresso.
  • Movimento romântico: crítica à civilização como sujeição da sensibilidade.
  • Estudos socioculturais: análise das dimensões popular, erudita e de massa.
  • Teoria das classes sociais: relações entre elite e classes subalternas na cultura.

 

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