🚶♂️Capítulo 3: A Caminhada
💫 Romance contemporâneo com elementos sobrenaturais: Daniel revela conhecimentos impossíveis sobre Luísa durante caminhada pelas ruas antigas, intensificando mistério e conexão entre os protagonistas
⏱️ Tempo de leitura: 6 minutos | 📖 Ficção
📝 Em resumo: No terceiro capítulo, Daniel e Luísa caminham pelas ruas do centro antigo após encontro no café. Durante trajeto até casa dela, Daniel revela conhecimentos impossíveis sobre passado íntimo de Luísa – medo de trovões aos cinco anos, coleção secreta de faróis em miniatura, detalhes físicos que ninguém conhece. Mistério se aprofunda enquanto conexão romântica se fortalece, culminando em novo encontro marcado para quarta-feira.
A tarde de domingo se estendia preguiçosa pelas ruas do centro antigo quando Daniel e Luísa deixaram O Café Passagem. O sol filtrado pelas nuvens criava uma luz dourada que parecia abençoar a caminhada, como se a própria cidade conspirasse para tornar aquele momento especial.

— Para que lado? — perguntou Daniel, ajustando a alça da mochila onde guardava o caderno.
— Rua das Flores — Luísa respondeu, surpreendendo-se com a naturalidade do gesto quando apontou a direção. — Fica a uns quinze minutos daqui.
Eles caminharam em silêncio pelos primeiros quarteirões, absorvendo a estranheza confortável de estarem juntos. Luísa observava Daniel pelo canto do olho, a forma como ele evitava pisar nas rachaduras da calçada, como seus olhos se detinham nas vitrines das lojas antigas, como parecia estar constantemente ouvindo algo que ela não conseguia escutar.
— Posso fazer uma pergunta? — ela disse quando passaram por uma floricultura.
— Todas as que quiser.
— No caderno, você escreveu sobre meu medo de trovões. Como soube disso?
Daniel hesitou, como se escolhesse cuidadosamente as palavras.
— Eu vejo você aos cinco anos, escondida debaixo da cama durante uma tempestade. Sua mãe tenta te convencer a sair, mas você só aceita quando ela traz uma lanterna e finge que vocês estão explorando uma caverna.
Luísa parou de caminhar. O coração disparou.
— Minha mãe nunca contou isso para ninguém. Nem eu me lembrava desse detalhe da lanterna.
— Mas aconteceu?
— Aconteceu — ela sussurrou. — Eu tinha cinco anos. Como você pode saber disso?
Daniel não respondeu imediatamente. Eles retomaram a caminhada, passando por uma padaria que exalava aroma de pão fresco.
— E a coleção de miniaturas de faróis? — Luísa insistiu.
— Você começou aos doze anos, depois de ler um livro sobre uma menina que morava em um farol. A primeira miniatura foi um presente de aniversário da sua tia Helena. Está guardada numa caixa de sapatos no alto do seu guarda-roupa.
Luísa sentiu as pernas fraquejarem.
— Daniel, isso é… isso é impossível. Eu nunca falei sobre os faróis para ninguém. É uma coisa boba, infantil. Nem minha melhor amiga sabe.
— Mas você ainda compra uma miniatura nova a cada ano, no seu aniversário. Uma tradição secreta.
Era verdade. Todo dia 15 de março, Luísa visitava uma loja de antiguidades e escolhia um farol em miniatura. Tinha vinte e três na coleção. Ninguém sabia.
— Como? — ela perguntou, parando novamente. — Como você pode saber essas coisas?
Daniel se virou para encará-la. Seus olhos castanhos refletiam uma mistura de ternura e melancolia.
— Eu não sei como, Luísa. Só sei que quando escrevo sobre você, é como se eu estivesse lembrando, não inventando. Como se essas memórias sempre tivessem estado lá, esperando para serem descobertas.

Eles continuaram caminhando, passando por uma livraria antiga com livros expostos na calçada. Luísa tocou a lombada de um exemplar de “Mensagem”, de Pessoa.
— E o ponto de nascença atrás da minha orelha?
— Esquerda. Formato de uma pequena lua crescente.
Instintivamente, Luísa levou a mão à orelha. O ponto estava lá, escondido pelos cabelos, exatamente como ele descrevera.
— Você escreveu sobre outras pessoas antes de mim?
— Não — Daniel respondeu sem hesitação. — Só você. Durante três anos, só você.
— Mas por quê? Por que eu?
— Essa é a pergunta que me mantém acordado todas as noites.
Eles viraram na Rua das Flores, uma via estreita ladeada por casas antigas com varandas de ferro trabalhado. Luísa apontou para um prédio de três andares com azulejos azuis na fachada.
— É ali. Segundo andar.

Quando chegaram à porta, nenhum dos dois parecia pronto para se despedir. Daniel olhou para as janelas do segundo andar, como se tentasse gravar cada detalhe na memória.
— Luísa?
— Sim?
— Você tem medo de mim?
A pergunta a pegou desprevenida. Ela estudou o rosto dele, as linhas de preocupação ao redor dos olhos, a tensão na mandíbula, a vulnerabilidade que ele tentava esconder.
— Deveria ter — ela admitiu. — Qualquer pessoa sensata teria. Mas não, Daniel. Eu não tenho medo de você.
— E do que eu represento?
— Isso me apavora — ela confessou. — A ideia de que talvez o mundo seja muito mais estranho e maravilhoso do que eu imaginava. A possibilidade de que algumas coisas sejam… destinadas.
Daniel sorriu, e pela primeira vez desde que se conheceram, o sorriso chegou aos olhos.
— Posso te ver na próxima semana? Não necessariamente no domingo. Qualquer dia.
— Quarta-feira — Luísa respondeu sem hesitar. — Tenho uma pausa no trabalho às três da tarde. Podemos nos encontrar no café.
— Quarta-feira às três — ele repetiu, como se estivesse memorizando uma oração.
Luísa subiu os três degraus até a porta do prédio e se virou para olhá-lo uma última vez.
— Daniel?
— Sim?
— Obrigada por me acompanhar até em casa.
— Obrigado por me deixar.
Ela entrou no prédio e subiu as escadas, ouvindo os passos de Daniel se afastando na calçada. Quando chegou ao apartamento, correu até a janela e o viu caminhando devagar pela rua, as mãos nos bolsos, a cabeça ligeiramente inclinada como se estivesse conversando consigo mesmo.
🎯 Principais Pontos
- 🚶♂️ Caminhada Reveladora: Trajeto pelas ruas antigas serve como cenário para aprofundamento do mistério e conexão entre protagonistas
- 🔮 Conhecimentos Impossíveis: Daniel revela detalhes íntimos da vida de Luísa que apenas ela conhece, intensificando elemento sobrenatural
- 💫 Memórias Específicas: Medo de trovões aos cinco anos com detalhe da lanterna e coleção secreta de faróis demonstram precisão impossível
- ❤️ Tensão Romântica: Apesar do medo racional, Luísa sente-se atraída pelo mistério e possibilidade de destino compartilhado
- 📅 Continuidade Narrativa: Novo encontro marcado para quarta-feira mantém expectativa e desenvolvimento da trama
❓ Perguntas Frequentes
🚶♂️ O que acontece no Capítulo 3 “A Caminhada”? Daniel acompanha Luísa até casa, revelando durante o trajeto conhecimentos impossíveis sobre seu passado íntimo, intensificando o mistério sobrenatural da narrativa.
🔮 Que segredos Daniel revela sobre Luísa? Medo de trovões aos cinco anos com detalhe específico da lanterna, coleção secreta de faróis iniciada aos doze anos, e marca de nascença em formato de lua crescente.
💭 Como Luísa reage às revelações impossíveis? Fica assustada mas não sente medo de Daniel, admitindo estar apavorada com possibilidade de mundo ser mais estranho e maravilhoso que imaginava.
❤️ Como evolui relação entre Daniel e Luísa? Tensão romântica se intensifica apesar do mistério, culminando em novo encontro marcado para quarta-feira às três da tarde no café.
📖 Qual tom narrativo do capítulo? Mescla romance contemporâneo com elementos sobrenaturais, mantendo atmosfera de mistério enquanto desenvolve conexão emocional entre protagonistas.
📚 Fontes e Referências: Literatura Contemporânea | Ficção Romântica | Narrativa Sobrenatural | Técnicas de Desenvolvimento de Personagem | Estrutura Narrativa em Capítulos
📖 Leia também: • Capítulo 1: O Primeiro Encontro – Início da História de Daniel e Luísa • Capítulo 2: O Café e as Revelações – Aprofundamento do Mistério • Romance Contemporâneo: Elementos Sobrenaturais na Literatura Atual
🌟 A caminhada revela que o mistério entre Daniel e Luísa vai muito além do acaso. Qual sua teoria sobre como Daniel conhece detalhes tão íntimos da vida dela? Compartilhe nos comentários suas expectativas para o próximo encontro na quarta-feira!
✍️ Por J.B WOLF
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